Rodas de samba com feijoada deixam a cidade ainda mais saborosa nesta época do ano

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FeijoadaJORNAL O DIA
Por Leandro Souto Maior

 O trânsito do Centro para a Barra da Tijuca é lento, e nossa equipe se atrasa para almoçar uma feijoada com Arlindo Cruz em sua casa. “Não aguentei esperar, já comi três pratos antes de vocês chegarem, mas senta aí que eu encaro mais um”, garante o sambista.

Ele, que está em cartaz todo domingo no Zozô, na Urca, comandando uma das rodas de samba com feijoada da cidade, dessas que deixam foliões com água na boca (veja nosso roteiro na página ao lado), havia prometido — e cumpriu — servir o prato tipicamente brasileiro e dar suas dicas sobre o assunto. “A minha cozinheira, Suely, não me deixa meter a mão na panela, mas eu coordeno tudo muito bem, sou bom de temperos”, gaba-se. “Ela é uma artista, e é a responsável pelos meus quilos a mais”, entrega.

E, afinal, o que não pode faltar em uma boa feijoada, Arlindo? “Sem dúvida, um bom samba. É indispensável!”, responde de bate-pronto. “Acho que a boa combinação deve-se ao fato de a origem do ritmo e do prato serem coisas de negão, da senzala. Tudo remete à nossa negritude. Já imaginou uma feijoada ao som de música clássica?”, brinca.

O feijão acompanha Arlindo Cruz desde o início da carreira. “Quando comecei a tocar, eu devorava o feijão da Dona Vicentina, da Portela. Comia uns quatro pratos cheios”, recorda ele, que escreveu também um punhado de sambas falando do assunto. “Fiz ‘Feijoada Com Sushi’ para um grupo japonês de samba, o Balança Mas Não Cai, que é tipo um Fundo de Quintal de lá. Também compus ‘O Feijão da Dona Neném’, esta com Zeca Pagodinho. E, no próximo dia 20, vou cantar no programa ‘Esquenta!’, na televisão, ‘Feijoada Completa’, do Chico Buarque”, anuncia.

‘Macarrão é macarrão’

Hoje, Arlindo desfruta do privilégio de ter a Suely para preparar suas iguarias preferidas. Mas nem sempre foi assim. “Quando era solteiro e morava sozinho, eu tinha que me virar, mas nunca gostei de Miojo. Macarrão é macarrão!”, decreta.

Feijoada do Arlindo

A cozinheira Suely Rita de Souza é quem prepara a feijoada do Arlindo, mas o bamba fica em cima, de olho. “Ele é muito simples, mas gosta de uma comida bem temperada”, conta ela. Arlindo se derrete: “A Suely adora artista, quando vem um aqui em casa o Facebook dela bomba! Ela é quase uma atriz, ainda vai posar para a ‘Playboy’”, diverte-se.

Confira o que não pode faltar de jeito nenhum na feijoada dessa dupla:

Feijão preto

(claro, mas “colocar louro no feijão é o grande barato”, ensina Arlindo. “Se você comer apenas o feijão e o louro, já fica uma delícia. Além do alecrim, que sempre cai bem”)

Carne-seca

Linguiça fina

(“Não pode faltar nunca, e não pode ser muito salgada”, ressalta ele)

Paio, lombo, pé, costela, orelha, rabo e toucinho de porco

Cebola

Alho

(“Muito alho!”, destaca o sambista)

Acompanhamentos

Farofa incrementada

Couve à mineira

Laranja

Arroz branco

Feijoada Samba de Verão

É a roda do Arlindo Cruz. Na abertura, show com seu filho, Arlindo Neto. Zozô. Avenida Pasteur 520,Urca (2542-9665). Domingos de janeiro, a partir das 18h. R$ 100 (mulher) e R$ 140 (homem). Estudantes e maiores de 65 anos pagam meia. 18 anos.

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